
Na mesa, o tabaco onde homens de pão de lata em cinza
conservam o fumo no duche de pedras nuas,
em que os filhos pretos de raiva
misturam ideias vazias no prato de sopa.
AH! Mafalda, Mafalda!
Porque é que não és a janela do umbigo de Dentes ocos.
Palavras, palavras.
Trás! Trás! - Bateu o vento.
Os homens de pão de lata em cinza desataram a gritar:
Foda-se! Foda-se!
A luz da madrugada rompe a escuridão da noite
e os homens de pão de lata em cinza
saltitam no esgoto da mesa a vida.
Sombras de cão que vadiam ao luar
pelo candeeiro que na janela da rua,
os pássaros cagam liberdade.
A noite esvai-se.
E, num soluço é dia.
Flávio Andrade
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